Uma história viva

A história do Peixoto

Da beira do Rio Jordão, em Araguari, à consolidação de um dos maiores atacadistas do Brasil — a trajetória de Nilton Peixoto de Souza e do legado que segue vivo.

Nasci em uma fazenda, na beira do Rio Jordão, em Araguari.

Nilton Peixoto

Sr. Osório e Sra. Aurora, durante o casamento de Nilton Peixoto e Mirtes Peixoto. (1966)

A frase, dita com a clareza de quem reconhece a própria história, resume o ponto de partida de Nilton Peixoto de Souza. Primeiro dos cinco filhos de Osório Peixoto de Souza e Aurora Barbosa de Souza, ele cresceu na área rural de Araguari, moldado por um ambiente de profunda simplicidade e respeito.

Ali conheceu cedo o valor do trabalho e da cooperação. Aos seis anos de idade, Nilton já ajudava o pai na rotina firme da fazenda, dividindo-se entre a capina, roçagem, a ordenha e a lavoura de arroz. A produção tinha destino certo, sendo o arroz e o leite levados no carro de boi para comercialização em Araguari, onde o leite era entregue de porta em porta.

Naquele tempo, as relações eram fortemente embasadas na ética e transparência. O Sr. Osório não anotava uma única linha, controlava todas as vendas de cabeça, sustentado apenas pela palavra e pela confiança mútua.

Com essa caixa de engraxar eu comprei minha caneta.

Nilton Peixoto

Foto do Arquivo Público Municipal e Museu Dr. Calil Porto, cedida pela Fundação Araguarina de Educação e Cultura - FAEC.

Aos 14 anos, Nilton mudou para Araguari para dar continuidade aos estudos, onde despertou sua visão prática e seu foco em resultados. Ao ver alguns colegas de classe com a cobiçada caneta Parker, ele transformou o sonho de ter uma em sua primeira meta. Como o pai não tinha recursos para comprar, ele encontrou uma saída por conta própria: o trabalho como engraxate.

Com a caixa embaixo do braço, foi até a barbearia mais próxima de sua casa e pediu permissão para atender os clientes dali. Moeda por moeda, juntou o valor necessário para comprar a tão sonhada Parker.

Mas ele não parou por ali: com o mesmo suor do trabalho como engraxate, Nilton comprou também uma bicicleta Philips — marcos de suas primeiras vitórias, guardadas na memória por toda a vida.

Eu prontamente respondi sim. Tinha 17 anos.

Nilton Peixoto

Ao demonstrar muita dedicação no serviço de engraxate, Nilton chamou a atenção do proprietário de um armazém vizinho, que o convidou para trabalhar.

No novo emprego, com seus 16 anos e pautado na busca contínua pela excelência, ele rapidamente revelou sua vocação para o comércio, assumindo a organização do estoque e a responsabilidade pelas compras do estabelecimento.

Entre os fornecedores que Nilton atendia no balcão estava seu tio, Francisco Antônio de Oliveira, o Chiquinho, distribuidor das cervejas Antarctica, Niger e Caracu.

Ao acompanhar de perto a maturidade, a ética rigorosa, a transparência e a habilidade de negociação do sobrinho, Chiquinho fez um convite para que Nilton se mudasse para Uberlândia, cidade que naquela época já despontava muitas oportunidades.

Aos 17 anos, Nilton aceitou o convite. Essa decisão marcou o início de sua trajetória de construção do Peixoto.

Cheguei com uma maletazinha de roupa.

Nilton Peixoto

Hotel Colombo - Imagem cedida pela Prefeitura Municipal de Uberlândia - ARPU, Arquivo Público Municipal de Uberlândia

Ao se mudar para Uberlândia, Nilton trouxe consigo apenas uma pequena mala de roupas e uma imensa disposição para o trabalho.

Trabalhou inicialmente no bar do Hotel Colombo, na esquina da Avenida Afonso Pena com a Rua Duque de Caxias, e, na sequência, no Empório Mineiro, onde os mantimentos ainda eram comercializados a granel.

A trajetória com o tio se cruzou novamente quando Chiquinho adquiriu uma casa de verduras, a Vantajosa, e confiou a Nilton a sua gestão. Demonstrando seu espírito de compromisso com o negócio, o jovem liderava a operação desde a madrugada, levantando-se cedo para ir ao mercado fazer a compra dos hortifrutis.

Se o senhor confiar em mim, eu vou tocar isso aqui.

Nilton Peixoto

Pouco tempo depois, o tio fundou o Armazém do Chiquinho, no número 65 da Avenida Vasconcelos Costa. Nilton dedicou-se ao estabelecimento no mesmo período em que serviu ao Exército, no Tiro de Guerra.

Em 1959, aos 18 anos de idade, Nilton recebeu de Chiquinho a proposta de comprar o armazém. O estabelecimento era modesto, com poucos itens em estoque, pilhas de garrafas vazias, alho, cebola e cervejas Antarctica.

Diante da oferta, Nilton ponderou que não teria recursos, pois vivia sob o amparo do próprio tio. No entanto, pautados pela ética e pela transparência que uniam a família, os dois viabilizaram o negócio. Como era menor de idade, Nilton registrou a firma em nome do pai, o Sr. Osório.

Por acreditar na capacidade empreendedora do filho, o Sr. Osório dispôs-se a vender sua propriedade rural e mudou-se para Uberlândia com a esposa, os outros 3 filhos e a filha.

A família trabalhou com determinação, cooperando com Nilton na consolidação do negócio que, dois anos depois, em 1961, mudou o nome para Armazém Peixoto.

Ciente de que o comércio exclusivo de bebidas do seu tio Chiquinho seria insuficiente para sustentar a expansão do negócio, Nilton agiu estrategicamente e, em 1964, passou a atuar também no ramo de atacado de secos e molhados.

A partir daí o Peixoto não parou de crescer e expandir sua atuação. O marco deste avanço foi em 21 de agosto de 1988, quando Nilton inaugurou o complexo de 31 mil m², batizado honrosamente como Osório Peixoto de Souza, eternizando o legado de união da família e abrigando, até hoje, a unidade matriz do Peixoto.

Conheci a Mirtes, namoramos muitos anos. Chamei o sogro e a pedi em casamento.

Nilton Peixoto

Os caminhos de Nilton e Mirtes, filha de João Ascenço Baptista e Alvina Saraiva Batista, se cruzaram nos anos 60.

Naquela época, ela e sua família moravam no sobrado do antigo Cine Regente, em Uberlândia.

Nilton tinha um Fusca amarelo e passava pela Rua Machado de Assis quando avistou Mirtes na sacada. Encantado, ele passou a repetir o trajeto no dia a dia até que teve coragem de acenar para ela. Mirtes retribuiu e a partir daí começaram a namorar.

Casamento de Nilton e Mirtes (28 de Maio de 1966)
Viagem para celebrar os 60 anos de casamento (2026)

Após dois anos de noivado, eles se casaram em 28 de maio de 1966. Naquele momento, o Peixoto já existia há cinco anos.

A simplicidade do gesto de acenar para Mirtes marcou o início de uma união sólida e duradoura, que se completou com a chegada dos filhos: Christianne, em 1967; Flávio, em 1969; e Nilton Júnior, em 1971.

Mirtes assumiu com determinação a gestão da casa e da família para que Nilton continuasse à frente do Peixoto. Uma trajetória de parceria que acompanha a história do casal e da própria empresa.

Christianne
Nilton Junior
Flávio

O Peixoto foi evoluindo e precisava de um lugar maior.

Nilton Peixoto

O Armazém Peixoto nasceu na Avenida Vasconcelos Costa, nº 65. Ciente de que o comércio exclusivo de bebidas do seu tio Chiquinho seria insuficiente para sustentar a expansão do negócio, Nilton agiu estrategicamente e, em 1964, passou a atuar também no ramo de atacado de secos e molhados.

Em 1965, a trajetória de Nilton cruzou-se com a de Dilson, que iniciava a história do ARCOM. Naquele período em que ambos os negócios estavam surgindo na mesma década, os dois já partilhavam de uma grande amizade, fortalecida porque Dilson era cliente assíduo do Peixoto.

Quando Dilson adquiriu o Armazém do Comércio do Sr. Herman Angel, notou que o imóvel, situado no número 1 da mesma avenida, era amplo para a sua operação inicial. Então, Dilson propôs a Nilton uma troca de pontos: o Armazém Peixoto, que já estava com quatro anos de estrada e necessitava de mais área para armazenar seus produtos, assumiria o espaço maior; e ele iria para o menor. Nilton aceitou.

Esse gesto, nascido da simplicidade e de um profundo respeito, selou uma relação de cooperação histórica. Além de companheiros de jornada no comércio, os dois tornaram-se compadres.

Sob a gestão de Nilton, o Peixoto não parou de crescer. A busca por instalações modernas levou à conquista da primeira sede própria, na Avenida João Pessoa, esquina com a Avenida Engenheiro Diniz. Anos mais tarde, o avanço dos negócios impulsionou a mudança para um quarteirão inteiro na Avenida João Pinheiro, nº 3747, no bairro Brasil.

O passo definitivo rumo ao futuro aconteceu em 1988. Movido por uma busca contínua pela excelência, Nilton investiu na aquisição de uma grande área no Distrito Industrial de Uberlândia.

Inaugurado em 21 de agosto, o complexo de 131 mil m² foi batizado honrosamente como Osório Peixoto de Souza, eternizando o legado de união da família e abrigando, até hoje, a unidade matriz do Peixoto.

A sucessão é a perenidade da empresa.

Nilton Peixoto

Christianne Peixoto

Na nova sede, Nilton Peixoto permaneceu na presidência até 2011, completando 52 anos dedicados à gestão do Peixoto — uma trajetória iniciada em 1959, quando ele tinha apenas 18 anos de idade.

Ao completar 70 anos, guiado por uma atitude de profunda transparência e respeito, Nilton Peixoto reuniu seus três filhos para comunicar a decisão de deixar o comando executivo e, confiante na união familiar, encorajou-os a definirem entre si quem assumiria a presidência.

Christianne Peixoto, aos 44 anos, foi a escolhida para suceder o pai e dar continuidade à construção do legado.

Ao mesmo tempo em que manteve vivas as diretrizes do fundador, Christianne imprimiu seu próprio estilo de liderança. Ela renovou práticas gerenciais, evoluiu a marca Peixoto e acelerou o crescimento da empresa, embasada em uma liderança ética e inspiradora.

Christianne Peixoto permaneceu na presidência da empresa até o seu falecimento, em agosto de 2023, deixando um legado de dedicação, visão e crescimento.

Sob a sua liderança, o Peixoto ampliou seus horizontes e consolidou-se entre os maiores atacadistas do Brasil.

Seu legado permanece vivo em nossa história e continua impulsionando o nosso crescimento.

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